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A música do Brasil perde Wilson Cirino. Mestre do violão e das composições faleceu nesta terça, 28/4, e será homenageado em show coletivo

 








NOTA DE DESPEDIDA - JOSÉ WILSON CIRINO


A música do Brasil perdeu nas primeiras horas desta terça-feira, 28/4/26, a genialidade de José Wilson Cirino, violonista, compositor, arranjador, pai, companheiro, protagonista da primeira geração de músicos que se tornaria conhecida por "Pessoal do Ceará", ao buscar ampliar espaços para seu trabalho artístico em capitais como Rio de Janeiro e São Paulo.


Wilson Cirino nasceu em Aracati-CE, em 1o. de abril de 1950, e se despediu aos 76 anos, vítima de câncer de pulmão. *O velório e o sepultamento acontecerão no Memorial Sol Poente, em Caucaia*, em horários ainda a confirmar.


 Lançou seu primeiro compacto em 1971, dividido com Raimundo Fagner, com as músicas "Copa luz", de Cirino e Sergio Costa, e "A nova conquista", de Fagner e Ricardo Bezerra. Lançou posteriormente os LPs "Moenda", de 1979, e "Estrela ferrada", de 1981. 


Em 2022 foi lançado o livro "Entre Velas e Tubarões", de memórias, escrito por sua esposa, Solange Benevides, que seguiu ao lado do sobrinho Pedro Henrique cuidando de Cirino até o último momento, proporcionando tudo que poderia ter sido feito para o devido acompanhamento médico. Por ocasião do lançamento do livro, Cirino realizou apresentações e concedeu entrevistas em espaços como o Café Couture e o Cineteatro São Luiz, ocasião registrada em vídeo disponível no YouTube.


Até poucos dias atrás Cirino permaneceu lúcido, consciente e cheio de boas lembranças da música e dos colegas artistas. Estava feliz com a realização de um show solidário coletivo, iniciativa de dezenas de colegas músicos, apresentação marcada para o sábado, 9 de maio, às 18h, no Teatro Carlos Câmara e que segue confirmada, agora como um momento de homenagem a Cirino e de reverência à sua obra musical.


*Sobre Wilson Cirino, Solange Benevides escreveu o seguinte nas primeiras horas desta terça-feira:*


...


Hoje eu perdi meu companheiro de vida. Meu melhor amor. Ele lutou como um bravo guerreiro, mas não suportou mais. Cirino, você foi amado demais. E agora me deixa com esse vazio enorme no peito, do tamanho da falta que você faz.


Não sei viver nesse silêncio que fica sem o seu violão. Não sei como a casa vai ter graça sem a sua presença.


Mas eu sei que enquanto houver música no mundo, você tá vivo. Enquanto alguém dedilhar um acorde que você ensinou, você respira aqui.


Obrigada por ter dividido a vida comigo. Obrigada por cada dia.


Vá em paz, meu amor. Eu continuo te amando daqui. Pra sempre tua,


Solange


Wilson Cirino, presente


...


*Cirino: pioneirismo e virtuose*


"Wilson Cirino, dos primeiros a se aventurar pelo Rio-SP com o Pessoal do Ceará, parceiro de Belchior em "3 vãos", parceiro do baiano tropicalista Piti, de Clodo Ferreira, Sergio Costa, entre outros, com músicas gravadas por Simone e Elis (infelizmente inédita), arranjador do LP "Cauim", de Ednardo, com dois discos solos e um compacto. Artista desse quilate precisa de ajuda com medicamentos e tratamento", destaca Alan Morais, DJ e pesquisador musical, especializado em música do Ceará.


O show do sábado, 9 de maio, às 18h, no Teatro Carlos Câmara, reunirá diversos artistas cearenses em uma apresentação solidária. No palco, entre outros músicos, Eugênio Leandro, Calé Alencar, Pedro Madeira, Serginho Costa e Irmãos, Alan Morais, Marcos Melo, Bernardo Neto, Masôr Costa, Márcio Muamba, Dalwton Moura e Alana Benevides. Outros convidados podem se somar à apresentação. 



*Mais sobre Wilson Cirino - Dicionário Cravo Albin*:


O prestigioso site Dicionário Cravo Albin, que registra amplamente informações sobre biografia e trajetória de grandes músicos do Brasil, destaca, sobre Wilson Cirino:


Em 1969, na coletânea “I Festival de Música Popular Aqui”, registrou sua composição “Rosa”. No começo da década de 1970, foi levado para o Rio de Janeiro por seu parceiro Sérgio Costa, e passou a conviver com frequência com nomes como Belchior, Fagner e Jorge Melo.


Em 1971, lançou, com o conterrâneo Fagner,  um compacto simples, pela RGE, produzido por Nestor e Antonieta Bérgamo, com as músicas “A nova conquista”, de Fagner e Ricardo Bezerra, e “Copa luz”, de Cirino e Sérgio Costa. Foi a estreia em disco, tanto dele, quanto de Fagner.


Em 1974, sua composição “Baião do coração”, parceria com Fred Teixeira,  foi gravada por Simone, no LP “Quatro paredes”, em 1974. Em 1979, gravou o LP “Estrela ferrada”, pela CBS, com suas composições “Maré de senões”, parceria com Brandão, “Quarto de pensão”, parceria com Pytty, “A vela e os tubarões”, “Me querias pedra”, parceria com Clodô, “Baião do coração”, parceria com Fred Teixeira, “Sobrados de Aracati”, “Passarinho”, “Chorinho do coração”, parceria com Chico Rosas, e “Pra lá de cego Aderaldo”.  


Em 1981, gravou o disco “Moenda”, pela RCA Victor, com suas composições “Moenda”, parceria com Sergio Costa, “Batendo perna ou perambulando”, “Três vãos”, parceria com Belchior, “Vagas opus dez (Santa Paz)”, parceria com Sergio Costa, “Força farta”, parceria com Rui de Aquino, “Nasci grama”, parceria com Sergio Costa, “Mentira”, parceria com Rui de Aquino, “Riacho do cajueiro”, parceria com Chico Rosas, e “Titã”, parceria com Sergio Costa. Nos anos 2000, continuou realizando apresentações em Fortaleza.


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