Artistas cearenses premiados em Minas Gerais e em diversas cidades do Brasil, Edinho Vilas Boas e Yayá Vilas Boas (pai e filha), com participação de Dalwton Moura, realizam um espetáculo musical inédito, em encontro com artistas mineiros, lotando o Bar e Museu Clube da Esquina, na noite desta quinta-feira, 28/8.
Eles receberam o mestre Paulinho Pedra Azul e os cantores e compositores Bianca Luar e Felipe Bedetti, todos de Minas Gerais, ressaltando o diálogo entre as cena musicais de Fortaleza e Belo Horizonte, no show "Ceará e Minas - Tantas Esquinas". O espetáculo terá nova edição em BH, no domingo, 7 de setembro, às 20h30, desta vez com Edinho Vilas Boas, Yayá Vilas Boas, Lu e Celinha e com Felipe Bedetti. Ingressos já no Sympla, a preço popular.
O show da noite desta quinta-feira, 28/8, lotou o Bar e Museu do Clube da Esquina, em Santa Tereza, e foi marcado por muita emoção, diálogo, parceria, em um encontro inédito no palco, com Paulinho Pedra Azul participando do espetáculo junto aos cantores e compositores cearenses e mineiros, de gerações mais recentes. Celebrando a canção brasileira contemporânea em suas conexões afetivas, poéticas e territoriais. Uma ponte entre o legado do passado e a força criativa do presente.
Com a casa cheia e muita expectativa, o show foi aberto com "Ponta do lápis", clássico do cearense Rodger Rogério e do piauiense Clôdo Ferreira, na voz e no violão de Edinho Vilas Boas, seguida de "Retumbante", de Edinho, música destacada como a terceira colocada nacional na edição passada do Fenac e que é um hino ao próprio ofício de cantar e compor.
"Eu sou a voz que samba o mundo / profundo mar do meu amar / aceita o som dos meus tambores, minha aldeia", canta Edinho, distante da "aldeia Aldeota", das dunas brancas, de onde viajou rumo às Gerais. Imagens de "Terral", clássico de Ednardo, interpretada por Edinho e cantada em uníssono pela plateia, mostraram que parte dos espectadores queria matar - ou aumentar - as saudades da "Praia do Futuro, do farol velho e o novo, os olhos do mar".
Da "Beira-mar", de Ednardo, em arranjo mais a tempo, pra frente, com Edinho. Ou do "Mucuripe", de Fagner e Belchior, cantado na noite desta quinta-feira, em BH, por Paulinho Pedra Azul e Edinho Vilas Boas, com Yayá Vilas Boas surpreendendo o público ao subir ao palco para se juntar à dupla.
Tantas Esquinas
O Clube da Esquina, claro, também foi destacado com canções como "Um girassol da cor do seu cabelo", interpretada magistralmente por Yayá Vilas Boas em dueto com Bianca Luar, uma das anfitriãs mineiras, e "Fazenda", de Nelson Angelo, gravada por Milton e lindamente recriada pelo mineiro Felipe Bedetti.
Mas, se estes superclássicos colocaram o Bar e Museu pra cantar junto, o fio condutor da noite foram principalmente as "canções autorais", leia-se, dos próprios intérpretes do show, e mais recentes, de Edinho, Yayá, Felipe Bedetti (duas delas, em parceria com o cearense Luciano Raulino), Dalwton e de Paulinho Pedra Azul, como a belíssima "Gaivota", do novo disco, em parceria com o maestro Luciano Franco - ausente ao show, de última hora, para cuidados de saúde, em Fortaleza, e homenageado por Edinho, Dalwton e Paulinho, em vários momentos ao longo da noite.
Logo após a forte interpretação de Edinho para "Guardanapos de papel, do uruguaio Leo Masliah, arrebatando a plateia e arrancando os aplausos mais fortes até então, Paulinho Pedra Azul foi o primeiro convidado da noite a ser chamado ao palco por Edinho. E se mostrou feliz em interpretar "Gaivota", letra dele e música de Luciano, ambas brilhantes, incluindo referências às cidades cearenses de Quixadá e Cascavel - esta a terra-natal de Luciano Franco.
Quanto mais relembrava e se apropriava da música, mais Paulinho sorria ao cantar, pedindo para Edinho tocar novamente, desde o começo, a música que é um dos destaques do disco "Casa das Flores".
Aplausos para Yayá
Após a participação de Paulinho, Yayá Vilas Boas brilhou em um bloco especialmente dedicado à sua voz, que conquistou a plateia no Bar e Museu Clube da Esquina. Desde "O que cabe no meu coração", em dueto com Edinho até a revisita aos clássicos "Traduzir-se" relembrando Fagner e Ferreira Gullar, e "Coração selvagem", atendendo aos apelos por uma canção de Belchior. "Sem você", composição de Yayá, bossa vertida para um blues especialmente para um festival, também foi muito aplaudida.
Hora e vez então da participação do compositor Dalwton Moura, parceiro de Luciano Franco no disco "Sonho ou canção", e também participante do Fenac, com "Pelo avesso do tempo", uma parceria com o mestre da bossa nova, Roberto Menescal, 87 anos. Dalwton e Edinho celebraram Luciano Franco com "As estrelas", desse disco.
E Paulinho Pedra Azul retornou ao palco para cantar com Dalwton ao violão a linda "Lição do dia", uma evocação à infância, de Paulinho e Geraldinho Alvarenga, presente no disco de 20 anos de carreira do autor de "Jardim da fantasia", outra a ser cantada do começo ao fim pela plateia, com Paulinho e Edinho.
Do samba clássico à força das autorais
Outro momento de destaque foi a participação de Bianca Luar com o clássico "É preciso perdoar", ela na voz e no pandeiro, Edinho ao violão no grande samba de Alcivando Luz e Carlos Coqueijo.
Já entre as "inéditas" para o público, outra meta-canção (uma musica sobre o ofício de fazer música) também foi muito aplaudida: Soneto do poeta morto-vivo, de Edinho e do também cearense Luis Lima Verde. Arrebatadora, mesmo à primeira audição, tal qual "A liberdade de viver", de Edinho e do cearense Chico Sérgio Araújo, canção participante do Fenac; "De maré em maré", com a plateia cantando e acompanhando nas palmas a força do baião.
Edinho então chama todos os convidados para retornarem ao palco e cantarem juntos "Cálix bento", bem à mineira, com Felipe tanto garantindo a continuidade do tema quanto surpreendendo, no violão, em um medley com Paulinho Pedra Azul, Edinho, Yayá, Dalwton, Bianca.
Foram mais de sete minutos de improvisação, festa, congraçamento, ao fim do show e do encontro ansiosamente aguardado e que fluiu com espontaneidade e beleza. Com a plateia exigindo mais, Edinho e Yayá recriaram "Retumbante" para o bis.
O encontro Ceará e Minas fechava o primeiro show de sua temporada em BH, com uma certeza: a de que o encontro deu liga e que novas apresentações e parcerias nascerão desta noite.
Mais sobre os artistas cearenses:
Edinho Vilas Boas
Edinho já atuou ao lado de grandes nomes como Luiz Melodia, Jane Duboc, Jorge Vercillo, Roberto Menescal e Dominguinhos. Fez turnê de três meses em Portugal e acumula vários prêmios em festivais nacionais, os mais recentes foram em 2024, no Festival Nacional da Canção (MG) e no FEM – Festival de São José do Rio Preto (SP), ambos com a música “Retumbante” (canção que dá título ao seu terceiro álbum autoral) reafirmando sua trajetória sólida na música autoral brasileira.
Yayá Vilas Boas
Cantora, compositora e multi-instrumentista, Yayá já recebeu prêmios em importantes festivais, como o Festival Nacional da Canção (MG), o Festival do Museu Clube da Esquina (MG) e o Festival da Juventude de Fortaleza (CE). Sua presença representa a força da juventude que honra o passado sem perder o pulso do presente.
Luciano Franco
Luciano tem uma vasta trajetória na música instrumental e vocal, com composições gravadas por diversos intérpretes e parcerias com nomes como Dominguinhos, Arismar do Espírito Santo, Fábio Torres, Adriano Giffoni e outros. Nos palcos, dividiu espaço com Cauby Peixoto, Clara Nunes, Vanusa, Doris Monteiro, Claudete Soares e Roberto Menescal. Lançou seu disco anterior, Sonho ou Canção, no Teatro Rival (RJ), em show com participações especiais. Maestro, compositor e multi-instrumentista com mais de 55 anos de carreira, Luciano Franco está lançando o álbum Casa das Flores, em parceria com Paulinho Pedra Azul. O trabalho foi gravado em Fortaleza, com canções compostas a partir de letras de Paulinho sobre músicas de Luciano, interpretadas por Edinho Vilas Boas, Yayá Vilas Boas, Claudine Albuquerque e outros grandes intérpretes cearenses.
Dalwton Moura
Curador, crítico musical, diretor artístico, jornalista, articulador do campo da Música no Ceará, vice-presidente do Sindicato dos Músicos Profissionais no Estado do Ceará, Dalwton Moura é um dos idealizadores e produtores dos projetos Ceará Jazz Series e Jazz em Cena, que desde agosto de 2015 promovem uma temporada permanente de jazz em Fortaleza, com shows todos os meses. Idealizou centenas de shows de artistas cearenses e/ou sediados no Ceará e também produziu espetáculos em São Paulo e no Rio de Janeiro. É autor do livro “Nos Acordes do Jazz & Blues – Histórias do Festival de Guaramiranga”. Lançou três discos e dois EPs. Tem parcerias com Roberto Menescal, dentre outros renomados artistas brasileiros.
Mais sobre os artistas mineiros:
Mais sobre Paulinho Pedra Azul
Com mais de 40 anos de carreira, Paulinho Pedra Azul é uma referência da canção brasileira, em seu modo particular e especial de fazer música e de levá-la ao público, desde cedo indo aonde o povo está, com uma carreira marcada pelo pioneirismo e pela força dessa presença, perto do público, apesar dos desafios tantos. Autor de clássicos como “Jardim dos Animais”, segue percorrendo o País com seus shows, sempre concorridos. Lançou dezenas de discos e compôs com o cearense Luciano Franco todas as canções do álbum “Casa das Flores”, com músicas de Luciano e letras de Paulinho. Algumas das canções serão apresentadas por eles no show no Bar do Museu do Clube da Esquina, no dia 28/8.
Mais sobre Felipe Bedetti
Em 2018 Felipe Bedetti lançou seu álbum de estreia, Solo Mineiro. Nome apropriado para o que o jovem compositor entrega no conjunto de músicas que o compõem. Ouvindo cada uma delas somos transportados para as vivências próprias do interior de Minas, donde vem Bedetti, natural da pequena cidade de Abre Campo.
Na cidade natal, ainda na adolescência, compôs suas primeiras canções e são elas a matéria prima de Solo Mineiro. Então, um álbum que retrata a fase inicial do trabalho de Bedetti, que podemos ver em Afluentes, trata-se de um compositor em constante transformação.
Mais sobre Bianca Luar
Cantora, especialista em Educação Musical pela UFMG, também formada em Violão Popular pelo conservatório estadual Lorenzo Fernandes em Montes Claros. Já dividiu o palco com artistas como Toninho Horta, Beto Guedes, 14 Bis, entre outros, e em sua estadia na Holanda foi vocalista da banda "Jazzbell". Também atua nas áreas de produção cultural e de arte-educação infantil.
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