O compositor Valdo Aderaldo, autor de clássicos da canção do Ceará para o Brasil, como "Coca-colas e iguarias", "Retrato do vento", "Samba do metrô", "Saint-Denis Ceará" e "Canção do amor banal", está lançando seu primeiro especial audiovisual. Gravado na ONG cearense Casa de Vovó Dedé, o trabalho reúne clássicos e composições inéditas de Valdo, registradas ao vivo, no Teatro Mansueto Barbosa, na instituição localizada na Barra do Ceará, em Fortaleza, pelo próprio autor (voz e violão) ao lado de Moacir Bedê (guitarra e flauta) e Thais Costa (percussão). O material já está disponível no YouTube da Casa de Vovó Dedé.
No repertório do novo especial audiovisual estão canções como "Aquela flor", letra de Valdo sobre melodia de Moacir Bedê, e "Canção de amor banal" e "Fortaleza, retrato do vento", música que deu nome a um projeto de shows realizado pela Secultfor nos anos 2000 e 2010, no Anfiteatro da Beira-mar, na capital cearense.
O especial audiovisual Valdo Aderaldo tem curadoria de Ewelter Rocha e Dalwton Moura. Direção geral do especial por Marco Beranger. Direção de imagens por Gabriel Matias, Iuri Sousa e Bruno Catanzaro. Coordenação e produção geral de áudio por Gabriel Arcanjo. Captação de áudio por José Silva. Auxiliares técnicos de palco: Wilker Kilderson, Dheila Matias, Emanoel Oliveira, José Silva. Edição de áudio, mixagem e masterização: Heli Segundo. Captação de imagens por Deivid Xavier, Charles Rodrigues, Luiza Gonçalves, Thalia Pessoa e Atyla Oliveira. Iluminação por Guilherme Cardoso. Produção técnica de Miguel Anderson. Pós-produção por Roberta Santos. Assistente de pós-produção: João Gabriel. Edição: Alessandro Oliveira. Coordenação da TVDD: Marco Beranger. Coordenação da Rádio e TV Casa de Vovó Dedé: Augusto Lessa. A direção geral da Casa de Vovó Dedé é de Wagner Barbosa.
Um compositor e muitos intérpretes
"Sou o compositor cearense mais gravado pelos amigos", brinca o compositor, citando Ricardo Black (que gravou "Samba do metrô"), Humberto Pinho (que registrou a belíssima "Suor dos peixes), além de Kátia Freitas, que gravou não só "Coca-colas e iguarias", mas também a mais recente "Cantar sozinho" (parceria com Cristiano Pinho), em registro magistral com Cristiano e Manassés.
Além dos intérpretes mencionados, Valdo também teve canções gravadas por cantores/as como Mona Gadelha ("Saint-Denis-Ceará"), Karine Alexandrino ("Citation"), Eliana Printes ("Coca-colas e iguarias").
Valdo Aderaldo foi um dos membros-fundadores do grupo Budega, surgido em novembro de 1979 e que incluiu artistas como Edmundo Jr., Rossé Sabadia e Cristiano Pinho. Morou por muito tempo na França, emplacando faixas em coletâneas internacionais. Fez parte da trilha sonora dos filmes “De ci, de lá”, de Agnés Varda ("Samba do metrô" e "Bossa mínima", 2011), “Camurupim, o peixe que eu queria” ("Linha de pesca", 2011) e “Canoa Veloz” ("Guardador do mar", de 2004), de Tibico Brasil.
"Coca-colas e iguarias", seu maior sucesso, ficou conhecida na voz de Kátia Freitas, a partir dos anos 1990, com arranjo de Kátia e de Cristiano Pinho e com um clipe dirigido pelo cineasta Joe Pimentel. Esse samba, gravado com espaço para guitarras roqueiras e em um arranjo contemporâneo, se tornou um clássico da música do Ceará para o Brasil. O compositor também escreveu, em parceria com Cristiano Pinho, "Cantar sozinho", que deu nome ao show de Kátia realizado em 2019 no Cineteatro São Luiz, um dos marcos do retorno da cantora ao Ceará, após 15 anos morando em São Paulo.
Em 2004, Valdo e a cantora Paula Tesser gravaram disco ao vivo no Café Pagliuca, espaço então referencial para o jazz, a música instrumental e a música autoral, na capital cearense. Um disco disponível no Youtube e uma verdadeira coletânea, com canções extremamente representativas na carreira do autor e de parceiros como Celso Gutfreind. No álbum gravado ao vivo, Valdo e Paula estão ao lado de Edmundo Jr. no contrabaixo, Pádua Pires na guitarra e Nilton Fiore na percussão.
Necessárias provocações de um trovador
"O tradicional Festival de Música de Camocim contará com a apresentação de 19 canções inéditas. Seriam 20, mas um dos compositores - Valdo Aderaldo - declarou que não viajaria a Camocim com uma ajuda de custo "que não dá pra passar nem a dindim".
O trecho consta do arquivo de edições de um jornal cearense e foi publico no final da década de 80, registrando, já então, uma das características deste que é um dos maiores compositores do Ceará para o Brasil: uma saudável criticidade, um bom-humor mesmo ao dar recados indigestos, uma leitura precisa da realidade e uma sorridente coragem ao nela intervir com boa dose de ironia, uma "pimentinha", quando necessário. E quase sempre é.
Como na ocasião em que, tendo sido chamado pela Secretaria de Cultura de Fortaleza, para fazer, no Anfiteatro da Volta da Jurema, o show de retomada do projeto "Retrato do Vento", agradeceu ao público e aos contratantes, perto de encerrar o show. "Parabéns pela retomada do projeto! Obrigado pelo convite! Muito obrigado por terem me chamado, mas digo como eu ouvia da minha mãe ao mostrar o boletim: 'Não fizeram mais que a obrigação'".
Precisamos de mais, muitos registros mais, desse incauto, inquieto, incontido cantautor. A partir deste janeiro de 2026, o público ganha um presente: o primeiro especial audiovisual e muitos motivos para ouvir Valdo Aderaldo.
Serviço:
Valdo Aderaldo. Especial audiovisual com o cantor e compositor cearense. Gravado na ONG Casa de Vovó Dedé, em Fortaleza, o especial está disponível no YouTube da casa, reunindo o compositor, Moacir Bedê e Thais Costa. A gravação foi feita pelo projeto Palco Aberto, parte do Plano Bianual da Casa de Vovó Dedé.
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